13.3.07

Dragão de cômodo informa...

...o blog acessado está temporariamente desligado ou fora da área de serviço. Por favor, tente mais tarde.

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Agradeço a preocupação dos frequentadores mas, devido a problemas de interface entre meu computador e o blogger, não consigo publicar novos textos. Assim que o problema for resolvido, voltaremos com nossa programação normal.

10.1.07

auto-retrato de um bonequinho de lego

I'm Jack's floating rib.

Aquela coisa teoricamente inútil, resquício de uma época em que necessitávamos de uma estrutura óssea menos flexível. A cauda vestigial, a pele similar a uma membrana entre os dedos, o excesso de pelos pelo corpo. A vontade de ser romanticamente pervertido – lembra quando vimos aquele filme porno trash no quarto de hotel?–, a inocência de outros tempos de achar que porque gosto sou gostado (neologismos sempre foram meu forte, siempre me ha gustado ensueñarme, condição cine qua non de uma vida criativa) – ah, aquele dia no cinema eu você estava tão distante e eu me senti tão só...

Don't be afraid as she pulled down the shade
Said there's nothing to fear but the monster is here
So just tell me the time, be it quarter of nine
Since the sun's gone away, now the creature will play


Aquilo que garante uma coluna razoavelmente balanceada, sou eu.

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I'm searching for something which can't be found...but I'm hoping

Caminho. No meio da noite, reparo em detalhes que ninguém mais viu e seguro sua mão e te conto de como estão destruindo a história térrea deste bairro para substituir por torres de marfim. Pedaços de vida em meio a tijolos antigos e cacos de telhas e azulejos, a história do país num terreno (agora) baldio.

Caminho. Por horas e horas sob o mormaço de um orga(ni)smo vivo exposto a 76% de umidade relativa (seria excitação?), comentando partículas particulares. Examinando o futuro de nosso casebre de sapé, detestando a realidade de nosso primitivismo social. Me pergunto se há uma consciência nesse pó que tanto varremos pra debaixo do tapete. Afinal, não há coisa mais incômoda que consciência, mas nossa ascendência macunaímica nos impede de ter tanto trabalho a ponto de jogá-la fora... é mais fácil esconder "onde a patroa não veja".

Still looking for someone who was around... barely coping

Caminho. Uma picada tão funda pra dentro de mim que me perco no processo de caminhar. Demorei para me dar conta dos estranhamente cativantes contornos melódicos dessa maravilhosa sinfonía má orquestrada, da vegetação exuberante que há nessas paragens (esse gênero híbrido vegetal-animal-concretual), dos pequenos jardins ocultos por detrás das portas cerradas, multiversos coloridos em expansão congelada, criostase. Uma infinidade de gente que silenciosamente grita BEBA-ME, enquanto outras tantas infinidades escandalosamente sussurram COMA-ME.

Um dia ainda encontro um campo de críquete com tacos-flamingos pra jogar com um adversário real.

5.1.07

observidão

150 outdoors retirados pela prefeitura na sua campanha contra a poluição visual urbana. Ao todo, são cerca de 5000 em toda a cidade.

Resoluções de "ano novo" não foram feitas para durar.

A primeira que fiz na minha vida durou exatamente 20 horas. Ao voltar pra casa depois de mais de dois dias de festa devido à mudança de mês, não resisti às tentações nicotínicas e voltei a fumar. Primeiro um cigarro, no dia seguinte dois, no seguinte 3 e hoje estou de volta ao ritmo natural. Sigo dizendo que vou me controlar... – talvez por não ser um dia especial essa seja mais válida.

Assim, continuo lidando com a distância – emocional, física, intelectual – do mundo que me cerca. Estou cada vez mais em paz com o fato de que nem todos são simpáticos, inteligentes, sacados e de que, se a estupidez é uma constante e o universo continua em expansão, isso é um indicativo forte com relação a situação do mundo e talvez explique a existência – a despeito da suposta existência de uma entidade chamada Deus – de criaturas tais como Jorge Caminhante Moita. A imbecilidade é uma constante.

173 km. de congestionamento no retorno à São Paulo.

Trans-piro-pareço raiva, quando estou tão-somente intrigado com o medo brasileiro de se olhar no espelho. Frustração, quando bestificado pelo provincianismo. Arrogância, quando só passei 0.3246753% da minha vida em terras não-tupiniquins. Sin embargo, como se diz coloquialmente, "não preciso comer um ovo que cheira mal e tem cor verde pra saber que está podre". Não vou falar de política hoje, mas dá pra perceber onde quero chegar, não?

"Vocês têm um som. Componham com ele. Tudo o que peço é que não me aborreçam."

Assim, fico feliz de ver pessoas a quem quero bem amando (direta, indireta ou platônicamente), amargando suas dores pessoais e acreditando que um dia tudo pode ser melhor. Fico feliz de ver a mim mesmo assim, apesar dos 365 (agora 360) entre eu e minhas metas. Me encanta que ainda apostemos em nós mesmos, ainda que fechando os olhos aos não-imediatamente-próximos. O importante é que cultivemos nossas habilidades (mentais e físicas), nossa capacidade de amar incondicionalmente (tão típico daqui), nossa poesia cotidiana no tratar com os outros (sempre tão poucos).

"Poesia é quando as palavras cantam"

17.12.06

Vidas com substância

Quando li pela primeira vez um texto do filósofo Slavoj Szizek falando sobre a "era do café descafeinado" achei um exagero. Quer dizer, claro que há muitas pessoas que usam e abusam (C&A) de coisas assim, fazem uma pausa no trabalho para tomar um Nescafé (o café descafeinado com gosto de café feito em casa); pedir uma Coca-Cola light no almoço (porque refrigerante engorda, mas aquela feijoada que estava no prato não...); voltar pra casa no seu totalflex (pra poupar grana de combustível, que a gasosa tá cara) que é o segundo ou terceiro carro da tua família (porque não dá pra ficar sem carro em dia de rodízio, né?); beber uma cerveja Kronenbier (sem álcool, porque álcool engorada, dizem as últimas pesquisas); agradecendo a deus pelo alisamento progressivo (porque cabelo cacheado é liiiiindo de morrer mas dá um trabalho...)

Bem, ok, talvez eu estivesse sendo inocente e acreditando na bondade inerente do ser humano, que o Brasil é o país do futuro, que ter potencial é igual chegar lá (um dia!) e que o negócio é esse mesmo, sorria pro Sinhosinho Malta e deixa ele fazer um cafuné na tua cabeça, ter uma experiência de contatos imediatos do terceiro grau com um nativo vindo diretamente da selva, trocar ouro e pedras preciosas por miçangas e espelhos... Mas todos têm que ser inocentes um dia, até um certo ponto, claro.

Vivemos vidas de mentira, iludindo a nós mesmos que é "the real thing".

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Agora a eMpTyV não toca mais música. Genial, não? Um canal de música que não toca música...garçon, um mixto-quente sem presunto e sem queijo, por favor!

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Estive conversando com um amigo sobre a questão do aumento de 90% do salário dos congressistas (que em menos de um ano já terá beneficiado todo o funcionalismo público) e ele me disse: "Mas, cara, pensa só...deve ser muito difícil decidir seu próprio salário!". Realmente, deve ser difícil decidir se R$ 150.000, 00 por mês (entre salários e benefícios) é pouco, o bastante ou muito para um deputado federal.

Esse aumento acarretará um prejuízo de cerca de R$ 200.000.000 por ano para os cofres públicos. Mas aumentar o salário mínimo em, digamos, R$ 100,00 é algo impraticável, assim o país vai a falência. Então, vamos manter o salário de todos baixo e aumentamos o nosso, que aí ninguém reclama, certo?

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Depois de tudo isso, lanço o concurso "Brasil, ame-o ou deixe-o (e o último que apague a luz)". A idéia mais criativa para substituir o bom e velho "ordem & progresso" (é, com & comercial mesmo!) da nossa muy querida y amada bandeira leva uma bala 7 belo.

Eu abro com: anuncie aqui.

Dê o seu pitaco.

7.12.06

Echando de menos

Tantas coisas tao distantes, buscando a vida em cada ínfimo detalhe, buscando uma pedra que nao seja cascalho, buscando Wally nas plazas movimentadas. As pupilas tentando imortalizar na carne (tao pouco tempo!) todo os pequenos detalhes, os neurônios rebuscando a memória, comparando e vibrando com as semelhancas e diferenças.

É tentar compreender porque as coisas te tocam tao fundo. Tentar juntar dois mundos inconciliáveis, buscando aquele equilíbrio perfeito que nunca vai acontecer (ainda bem!). Sentir-se um estranho no ninho e ao mesmo tempo mais em casa que nunca. Ouvir aquela música que você sempre quis ouvir nas situaçoes de maior fragilidade e perceber que elas ainda sao tao parte de você.



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Sou a vida em meio ao cinza, esse resquício de casa, essa umidade constante que nao me deixa olvidar (plúmbeo!), sangue correndo em veias alheias, tao cientes da diferença presente. A escrita com passos largos, vagos, curiosos. El sonido urbano de un enorme pueblo.



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I'm much wiser now
A lifetime of memories
Run through my head
They taught me how
For better or worse, alive or dead
And I realize there's no turning back
Life goes on the offbeaten track
I sit down with my son
Set to see the Crimson Sunset
Many years have come and gone
I've lived my life but now must move on
He's my only one
Now that my time has come
Now that my life is done
We look into the sun
"Seize the day and don't you cry
Now it's time to say good-bye
Even though I'll be gone
I will live on"

16.11.06

estamos adorando madrid

Ironias a parte, a vida sempre da um jeito de nos surpreender, nao? Pessoas diferentes e lugares interessantes sao esperados, mas...

Encontrar essa terra mais quente que Sao Paulo (e eu ja tinha avisado que, se aqui estivesse quente, alguem ia pagar por isso!). Mas que e isso, menino, relaxa, aproveita a vida. Entao, la vamos nos. Na primeira noite, companheiros de hostal simpaticos e uma cervejada. E ontem, rodando pelo centro historico de Madrid, conhecendo os velhos amigo de um velho amigo, emborrachandome pela noite.

E eis que hoje, outra surpresa: chove. Muito. E eu, que nunca ouvi minha mae ("Toma juizo, menino!", ao que eu respondia "Mae, eu procurei tomar esse tal juizo, mas na vida la fora so tem cachaca, cerveja, whiskey..."), agora estou sem guarda-chuva. Mas e dai? Como nao sou feito de acucar, saio na chuva mesmo e que se dane.



Informacao de almanaque para voces: esse ai em cima e o verdadeiro marco zero de Madrid, onde todos se encontram.

4.11.06

T menos 10 e contando

Fiz muito. O velho deitado já dizia pra não ir com muita sede ao pote, mas eu já não tenho paciência para certos jogos – ou melhor, creio que nunca tive, mas agora assumo isso, vestindo a satisfação desse manto como uma túnica azul royal, daquelas que Moisés vestia quando passeava por Amsterdam.

Existe uma maneira certa de fazer isso, mas eu não sei.

No entanto, sei que a escolha foi apropriada, um poema de entrega que é dúbio com relação a suas intenções: amor ou amizade? Um dos maiores poetas daquelas ilhas, muito afeito ao erotismo era, apropriadamente, um padre. Um equivalente a altura de seu conterrâneo/contemporâneo Sheakespeare, um poeta que recomendo para todo homem apaixonado que queira, em linhas, destrinchar suas partes para ela.

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Muitas desperdidas para fazer. Me sinto quase como o cachorro que foi enviado ao espaço nas primeiras experiências de "vôo tripulado". O intrépido cosmonauta Spiff.

É curioso ver as reações de cada pessoa e, em alguns casos, uma surpresa pelo carinho. Estou ansioso para viver outros ares, ter uma comparação para esta realidade multi-colorida e -facetada que conheço desde que nasci.

¡Hasta luego!

3.10.06

quadrilhado

Após mais de um mês de sumiço forçado pelo blogger, eis que a criatura está de volta. Smarter, stronger, more agressive...I feel like...like....I feel...like...I could...like I could...TAKE ON THE WORLD!

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Curioso como, durante o primeiro turno das eleições desse ano, quase todos os meios de comunicação e os próprios políticos fizeram plantão reforçando que voto nulo não é voto válido. OK, true enough segundo a Constituição de 1988. Curiosamente, ninguém (e – não que isso seja surpresa – nem os jornalistas/jornaleiros deste Brasil varonil) mencionou o seguinte fato: o artigo 175 da lei 4.737 de 15 de julho de 1965 define o que é um voto nulo, mas algumas dessas definições caíram em desuso com o advento da urna eletrônica. Porém, um parágrafo desse artigo chama a atenção:

§ 3º Serão nulos, para todos os efeitos, os votos dados a candidatos inelegíveis ou não registrados. (Parágrafo renumerado pelo art. 39 da Lei 4.961, de 04/05/66)

No site do TSE, no entanto, encontra-se o seguinte detalhe:

Se mais de 50% dos votos forem nulos ou anulados, faz-se nova eleição?
Esse questionamento, relacionado à interpretação do art. 224 do Código Eleitoral, terá respostas distintas, conforme a ocorrência das seguintes situações:

a) Votos anulados pela Justiça Eleitoral:
Se a nulidade atingir mais da metade dos votos, faz-se nova eleição somente quando a anulação é realizada pela Justiça Eleitoral, nos seguintes casos: falsidade; fraude; coação; interferência do poder econômico e desvio ou abuso do poder de autoridade em desfavor da liberdade do voto; emprego de processo de propaganda ou captação de sufrágios vedado por lei.
A nova eleição deve ser convocada dentro do prazo de 20 a 40 dias.

b) Votos anulados pelo eleitor, por vontade própria ou por erro:
Não se faz nova eleição. Segundo decisão proferida no Recurso Especial nº 25.937/2006, os votos anulados pelo eleitor, por vontade própria ou por erro, não se confundem com os votos anulados pela Justiça Eleitoral em decorrência de ilícitos. Como os votos nulos dos eleitores são diferentes dos votos anulados pela Justiça Eleitoral, as duas categorias não podem ser somadas e, portanto, uma eleição só será invalidada se tiver mais de 50% dos votos anulados somente pela Justiça Eleitoral.


§ 1º Serão nulos os votos, em cada eleição majoritária: 
I - quando forem assinalados os nomes de dois ou mais candidatos para o mesmo cargo;
II - quando a assinalação estiver colocada fora do quadrilátero próprio, desde que torne duvidosa a manifestação da vontade do eleitor.
       
§ 2º Serão nulos os votos, para a Câmara dos Deputados e Assembléia Legislativa, se o eleitor indicar candidatos a deputado federal e estadual de partidos diferentes. (Revogado pelo art 39 da Lei nº 4.961, de 4.5.66)

§ 2º Serão nulos os votos, em cada eleição pelo sistema proporcional: (Parágrafo renumerado pelo art. 39 da Lei 4.961, de 4 5.66)
I - quando o candidato não fôr indicado, através do nome ou do número, com clareza suficiente para distinguí-lo de outro candidato ao mesmo cargo, mas de outro partido, e o eleitor não indicar a legenda;
II - se o eleitor escrever o nome de mais de um candidato ao mesmo cargo, pertencentes a partidos diversos, ou, indicando apenas os números, o fizer também de candidatos de partidos diferentes;
III - se o eleitor, não manifestando preferência por candidato, ou o fazendo de modo que não se possa identificar o de sua preferência, escrever duas ou mais legendas diferentes no espaço relativo à mesma eleição.
IV- se o eleitor escrever apenas a sigla partidária, não indicano o candidato de sua preferência. (Incluído pela Lei nº 6.989, de 5.5.1982) e  (Restabelecido pela Lei nº 7.332, de 1º.7.1985)

§ 3º Serão nulos, para todos os efeitos, os votos dados a candidatos inelegíveis ou não registrados. : (Parágrafo renumerado pelo art. 39 da Lei 4.961, de 4 5.66)

§ 4º O disposto no parágrafo anterior não se aplica quando a decisão de inelegibilidade ou de cancelamento de registro for proferida após a realização da eleição a que concorreu o candidato alcançado pela sentença, caso em que os votos serão contados para o partido pelo qual tiver sido feito o seu registro. (Incluído pela Lei nº 7.179, de 19.12.1983)
       
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Como já disse antes, este é um ano de escolhas. Cada um sabe (eu espero!) porque fez as escolhas que fez e espero que estejam todos em paz com a própria consciência. Fato, é um pouco difícil de acreditar nisso quando temos Paulo Maluf, Clodovil, Frank Aguiar, Aldo Rebelo, Antonio Palocci, José Genoino, Michel Temer, Arnaldo Madeira, Fernando Collor – e tantos outros que não tenho o saco de numerar aqui – (re)eleitos. Mas tudo bem...um passo de cada vez.

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Para àqueles de vocês que tiverem paciência, curiosidade ou interesse o suficiente, aí vai:

http://www.planalto.gov.br/ccivil/leis/L4737.htm#art100ß2
http://www.planalto.gov.br/ccivil/leis/L9504.htm

19.8.06

flesh as a design fault?

A carne marca.
Fácil.

Toda experência fica ali:
comida,
bebida,

sexo,
contato,
convívio,

isolamento.

A carne é

espelho
espelho
teu

A carne é fraca.

1.8.06

memória (full circle)

perder. O problema é lembrar...Sabe?
– Como assim, o problema é lembrar? Isso é justamente o que garante o valor, o que dá o devido peso à coisa toda!
– Sim, sim...o que quero dizer é que dói lembrar! Saber que tudo aquilo aconteceu de fato, apesar mesmo das consequências...por que a lemrança de tudo aquilo coloca o que aconteceu depois em outra perspectiva!
– Mas é justamente isso que torna as relações humanas tão extraordináriamente complexas e interessantes! Ora, se pegarmos qualquer momento isolado, ele tem um conjunto relativamente pequeno de reverberações. Mas se os colocarmos alinhados, antecedente-consequente, tudo adquire nova cor!
– De fato, mas jamais como antecedente-consequente! Isso dá a entender que determinada coisa só poderia ter aquela determinada consequência, coisa totalmente errônea. Por exemplo, o que me aconteceu...havia uma série de caminhos que cada um de nós poderia ter tomado...no entanto, cada fez uma escolha específica dentro de toda essa gama de possibilidades.
– Sim, mas isso não é um sinal de que, tanto para um como para outro, tavez só houvesse uma determinada escolha a fazer?
– Não acredito nisso. Eu mesmo, pensando sobre tudo o que havia acontecido, puxando pela memória todos os detalhes que consegui, cheguei a pelo menos três caminhos a seguir.
– Sei...
– De qualquer forma, nos desviamos do assunto. O fato é que aquele dia ficou na minha memória... e me dói ver no que algo tão bonito se transformou! Eu revejo os pequenos detalhes, mesmo à meia-luz daquela sala... Ah, não sei... quando me revejo de joelhos com aquele sapato vermelho na mão... (suspiro)... O fato é que tudo o que ocorreu – tudo o que aconteceu lá – deixou em mim uma marca indelével, a luz do que tudo o que veio depois não faz sentido...
– Ou talvez você não queira ver o sentido...
– Como assim?
– Ora, talvez você não queira aceitar que o outro tenha o direito mesmo de escolher algo que não esteja nos seus planos, algo que, para você, não faça sentido porque não é o que você escolheria. Que tais memórias não tenham o mesmo peso que têm para você...Encarar isso talvez seja demais para você, pois seria de certa forma algo...não sei, auto-destrutivo, talvez? Porque, ao fazer isso, você estaria renegando quem você é, renegando sua memória?
– Por que aquilo que foi dito não pode nunca ser desfeito! Por que um gesto, depois de tudo o que foi dito, é como uma pedra na água: ela cria reverberações!
– No entanto, é possível que para outros isso não seja assim, não?
– Bem... sim...
– Então, não sofra de antemão! Lembre-se, quem morre de véspera é peru. Afinal, não é como se você não tivesse nada a